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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Prefácios - Antonio Calonni - Paisagem Vista do Trem

Antonio Calloni - Paisagem Vista do Trem - 2008 - Papirus Editora

Concentração de renda é uma coisa da qual ninguém gosta. Mas concentração de talentos é outro papo, é uma surpresa sempre agradável e, mais que agradável, entusiasmante: dá testemunho das múltiplas possibilidades do ser humano. Antonio Calloni é, como todos sabem, um belo exemplo de talento multifacético. É o ator que nós admiramos, na tevê, no cinema, no teatro. A partir da minissérie Anos dourados (Globo, 1986), foram numerosos os seus trabalhos na tevê, incluindo Os Maias, Terra Nostra, Chiquinha Gonzaga e Amazônia, de Galvez a Chico Mendes. No cinema, atuou em Policarpo Quaresma, herói do Brasil, de Paulo Thiago. Mas Calloni é também escritor e poeta, o autor de Os Infantes de dezembro (1999), A ilha de sagitário (2000), Amanhã eu vou dançar - Novela de amor (2002), O sorriso de Serapião e outras gargalhadas (2005). Um trabalho recebido com aplausos. "Fino prosador, alçando a nossa miséria ah marca exemplar da fábula", diz João Gilberto Noll na orelha de O Sorriso de Serapião e outras gargalhadas. "Isto que tem as mãos, leitor, é literatura transcendente", garante Pedro Bial ao analisar Amanhã eu vou dançar - Novela de amor. E ninguém menos do que o grande Manoel de Barros afirma, a propósito de Os infantes de dezembro: "Sua poesia vem de uma aguda percepção da nossa mais vulgar vivência. Gosto de tudo".
Com Paisagem vista do trem, Antonio Calloni nos dá mais uma demonstração de seu enorme talento poético, um talento que resulta de um notável domínio da forma associado a uma profunda sensibilidade. Tomem, por exemplo, Noticia sobre a criança. Ali, Calloni nos diz: "a mulher com morte cerebral / deu ah luz / uma criança". Esses versos, ele os repetirá três vezes: para que esse brutal fato da vida se imponha ah nossa desamparada incredulidade. Mas Calloni não fica nisso. Ele não quer que fiquemos nisso, na incredulidade, na tristeza. Ele quer que partamos da morte para descobrir a vida. De novo temos o jogo poético da repetição, mas desta vez galgando patamares da reflexão (aquilo que sempre fazemos quando meditamos sobre o sentido da existência) até chegarmos a um decisivo final: "a morte deu ah luz / uma vida / anterior a poesia / superior a noticia". Uma pausa, e o derradeiro verso: "e a luz, se fez". Uma sentença bíblica que nos remete ao mistério da criação, porém com outro sentido. A luz se faz não com o "Fiat Luz" do Genesis, mas quando o ser humano supera suas limitações quando a vida de um ser compensa a morte do outro. Outra celebração da condição humana temos em "Quem são essas pessoas?". Esse é um poema que, como Neruda em El libro de las preguntas, é feito de indagações. Indagações que parecem nascer da surpresa, da estranheza:

Quem são essas pessoas
Que sonham com carros antigos?
Quem são essas pessoas
Que comprar o Gordini sonhado
Com pouco soldo e lhe vestem roupa nova
E moderna?

A estranheza aqui não é só daqueles que nunca ouviram falar de um carro chamado Gordini; a estranheza, a deslumbrada estranheza, é de todos nós, diante de pessoas que dedicam a um carro antigo um inesperado carinho. Mas Calloni não fica ai. Ele tem mais perguntas a fazer. Como Sócrates, ele acredita que a interrogação é o caminho para a descoberta do outro. E assim ele indaga:

Quem é esse homem
Que ainda se espanta coma beleza
Da mulher amada
E que não se cansa de se extasiar
Com a robustez das suas coxas?

Perguntas encontramos também em "A primeira moradia"; "Que luz é essa que percebo / com meus olhos ainda mal formado?". É a criança que pergunta, e que quer não apenas respostas, mas, ainda no útero, quer o conforto e o apoio da mãe, porque, e notem a beleza destes versos, "eu sei coisas pelo teu ventre / mas é tua alma que sabe de mim". "Inventei meu verbo, meu tempo", diz Calloni, em "A moça maior". E mesmo que o verbo fale de "torta senda, verdade louca", o resultado é uma celebração poética. Para o qual todos nós, admiradores de Antonio Calloni, estamos convidados.

Moacyr Scliar

sábado, 3 de agosto de 2013

Moacyr Scliar - Mauricio A Dimensão Humana

Moacyr Scliar - Maurício A Dimensão Humana

Este livro é relativamente desconhecido na obra bibliografia de Moacyr Scliar sequer eh mencionada na sua extensa obra literária.

Acho que porque deve ter sido um livro de encomenda que trata da vida do fundador do Grupo RBS - Maurício Sirotsky.

Eu tomei conhecimento dele há muito anos quando trabalhava na auditoria da TV Gaúcha e ficamos alocados dentro do prédio da biblioteca da emissora.

Confesso que o livro ficou na minha cabeça e não tinha o achado em nenhuma das minhas andanças pelos sebos do Brasil até o surgimento dos sebos pela internet que me propiciaram trazer um exemplo ao meu acervo.

O livro narra à trajetória, o cenário histórico, a dimensão humana de um pioneiro da comunicação do Brasil e esse eh também seu subtítulo.

O texto de Moacyr Scliar dá todo um brilho especial a essa trajetória e o livro merece fazer parte da longa bibliografia e também carece de uma reedição.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Moacyr Scliar - Histórias de Aprendiz

Moacyr Scliar - Histórias de Aprendiz

A história de um jovem aluno de medicina que tem vontade de aprender e que por acaso cruza o caminho de uma enfermeira experiente tanto na medicina quando nas artes do amor.

A iniciação de um jovem aprendiz, a facilidade com que Moacyr Scliar vai tecendo sua história e nos colocando nos bastidores da residência de um médico em formação, faz com que nos sintamos participantes daquela vida.

O desfecho também eh inevitável, mas não surpreendente.

Moacyr Scliar - A Orelha de Van Gogh

Moacyr Scliar - A Orelha de Van Gogh

Reunião de Contos publicada originalmente em 1989 e contemplada com Prêmio Casa de Las Américas naquele mesmo ano.

Encontramos As Pragas - Não Pensa Nisso, Jorge - A Orelha de Van Gogh - Fragmento - Árvore de Decisões - Quebra-Cabeças - Marcha do Sol Nas Regiões Temperadas - Diário De Um Comedor de Lentilhas - Misereor - Sindicato dos Calígrafos - Atualidades Francesas - Um Emprego Para o Anjo da Morte - Hora Certa - O Inimigo Público - Mensagem - Inéditos - Minuto de Silêncio - O Príncipe - Problema - No Mundo das Letras - Pele Sensível - Surpresa - O Vencedor: Uma Visão Alternativa - Memórias de Uma Anoréxica.

Meus destaques vão para os contos: As Pragas - A Orelha de Van Gogh - Quebra-Cabeças - Marcha do Sol Nas Regiões Temperadas e No Mundo das Letras, não que os demais não sejam tão bons quanto estes.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Zilá Bernd e Outras Org. - Tributo a Moacyr Scliar

Zilá Bernd e Outras Org. - Tributo a Moacyr Scliar

Trata-se de um livro em homenagem ao escritor Moacyr Scliar e está dividido em duas partes: Depoimentos Pessoais e Estudos Críticos.

Um senão eh termos dois depoimentos pessoais de editores franceses sobre a relação com Moacyr publicados em francês, língua em que a maioria dos interessados não tem a mínima noção e não contou com tradução nesta edição.

Afora isso, o conjunto de depoimentos e artigos valem para realçar a pessoa e o escritor Moacyr Scliar.

Cada um deles dá a dimensão da obra e da vida dedicada a compor uma obra que permanecerá no imaginário de seus leitores e com certeza deixará o nome do escritor escrito entre os grandes da literatura brasileira.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Moacyr Scliar - Contos Reunidos

Moacyr Scliar - Contos Reunidos

Reunião primordial para a literatura brasileira, um passeio magistral pela arte de fazer e ler contos.

Moacyr é um contista, inexplicável, é um passeio sem limites para sonhar, é acreditar que ele foi capaz de premeditar cada conto.

Destaque especial para o conto Os Contistas um passeio eterno pelo universo literário e cultural deste país.

Moacyr Scliar - Sonhos Tropicais

Moacyr Scliar - Sonhos Tropicais

Um livro interessante que conta a história romanceada do cientista Oswaldo Cruz.

Em um livro diferente ou igual a todos que Moacyr Scliar escreve.

Ele tem o dom de escrever de um jeito fascinante, parece que dá a entender que fala e narra à estória, sendo personagem e escritor ao mesmo tempo, por tudo isso o livro se torna difícil no começo e deslancha no final, e leva o leitor a uma viagem curta e muito boa sobre a vida e a obra deste sanitarista chamado Oswaldo, vale à pena ler Sonhos Tropicais.